Uso recreativo do álcool e efeitos espirituais

Uso recreativo do álcool e efeitos espirituais

O álcool é visto em nossa sociedade como algo aceito e até bem visto pelo poder que apresenta em facilitar (de modo superficial) a socialização, porém mesmo um uso esporádico (ou recreativo) e mesmo ainda em baixas doses pode apresentar problemas no corpo físico e também no corpo espiritual.

Sendo considerada uma droga psicotrópica (que possui o poder de alterar os sentidos) e de efeito depressor, o álcool rebaixa as funções do sistema nervoso central de modo mais ou menos intenso, de acordo com a dose ingerida e de suas concentrações no sangue. Ao ingerirmos bebidas alcoólicas em pequenas doses, estimulamos a liberações de serotonina, neurotransmissor relacionado com sensações de prazer e euforia. Mas também há simultaneamente um prejuízo das funções sensoriais e do equilíbrio.

Havendo insistência na ingestão da bebida alcoólica, as concentrações no sangue irão se elevar e haverá uma inibição do neurotransmissor Glutamato, que por sua vez deveria inibir o neurotransmissor GABA. Este último é um neurotransmissor que deprime o sistema nervoso central, e não havendo mais inibição para seus efeitos, observa-se consequências mais danosas do uso do álcool, como agravamento das capacidades sensoriais e motoras, podendo evoluir com o coma alcoólico e morte.

Pois observem, mesmo um uso esporádico e mesmo sendo em pequenas doses, acarretam efeitos que podem gerar resultados desastrosos. Uma perda pequena da capacidade de atenção não pode facilitar a ocorrência de um acidente automobilístico? Um uso esporádico mas em grande quantidade (abusivo) não acarreta discussões e mortes? E estamos até agora nos restringindo à ciência, à medicina do corpo físico. E espiritualmente?

Nosso corpo físico liga-se ao espírito através do duplo etérico (matéria mais densa e portanto mais ligado ao corpo físico) e do períspirito (matéria mais sutil que o duplo etérico, intermediário entre o espírito e o duplo etérico). Essa ligação é feita de modo mais íntimo através dos chamados centros de força, sendo sete os principais: centro coronário, centro frontal, centro laríngeo, centro cardíaco, centro esplênico, centro gástrico e centro genésico. Há outros, mas conforme nos diz a espiritualidade, este sete são os principais. E estes centros de força estão presentes igualmente no duplo etérico e no períspirito. Importante lembrar que: (1) estes centros de força não são estruturas independentes, mas interligadas e (2) o duplo etérico não funciona apenas como um intermediário, mas também como um “filtro”, de modo que nem toda lesão proveniente do corpo afete o períspirito e vice versa.

Então, ao ingerirmos bebida alcoólica, há um efeito tóxico no corpo físico e simultaneamente lesão no duplo etérico, gerando brechas no mesmo e diminuindo o poder de “filtro” que o mesmo possui. Como consequência, teremos efeitos danosos gerados nos centros de força do duplo etérico e também do períspirito, incluindo o centro de força coronário, considerado o centro que assimila os estímulos da espiritualidade superior.

O espírito Joseph Gleber no livro Medicina da Alma, psicografado pelo médium Robson Pinheiro e o espírito André Luiz, no livro Missionários da Luz, psicografado pelo médium Chico Xavier, nos esclarecem o resultado final dessa cascata de efeitos. Há uma diminuição dos estímulos da espiritualidade superior e simultaneamente uma mente mais suscetível e influenciável pelos irmãos espirituais menos evoluídos, gerando: (1) processo isolado de vampirização, para usufruírem dos efeitos do tóxico a que eram viciados quando encarnados ou (2) início de um processo obsessivo ou (3) agravamento de um processo obsessivo já existente.

Algumas considerações podemos tecer sobre as informações discutidas até este momento. A primeira é que os espíritos não nos trazem informação sobre dose segura de álcool, apesar de observarmos na prática que os efeitos não são iguais em todos os indivíduos. Podemos fazer então a seguinte analogia: é possível um indivíduo sobreviver e ainda ter uma vida normal após um tiro no cérebro? Sim, é possível. Cada indivíduo pode responder diferentemente após exposto a um mesmo elemento danoso. Mas é aceitável arriscar para ver o que pode vir a acontecer? Claro que não! Então por que arriscar?

A segunda consideração, mas não menos importante. O conhecimento trazido pela doutrina não serve apenas para aumento do nosso repertório intelectual, mas também para nossa melhoria moral. Devemos aprender e usar esse conhecimento para trabalhar nosso processo de reforma íntima. Devemos olhar para dentro de nós e observar o que precisamos trabalhar. Defeitos a atenuar e qualidades a acentuar.

O processo é longo e não é fácil. Mas se dentre tantas coisas que precisamos trabalhar, há um pequena questão que temos tanto controle a ponto de escolhermos um certo dia e horário na semana para nos expormos a ela, então não seria isso o primeiro da nossa lista de itens de reforma íntima? Não seria o mais fácil para excluir? O mais fácil para colocarmos de lado?

Não deixemos para outra encarnação o que podemos fazer agora. Não precisamos do álcool, precisamos nos elevar espiritualmente, desde já.

Carlos Frias Neto

Presidente da Associação Médico-Espírita do Maranhão