Olhar para onde ou o quê?

“Os melhores professores são os que nos mostram para onde olhar, mas não dizem o que devemos ver” 

                                                                                                                                    Alexandra K. Trenfo

 

   A eterna busca de significação por que o ser humano passa representa etapa decisiva em nosso aprimoramento /progresso pessoal, tanto quanto coletivo, pois é um portentoso anseio, antes da humanidade que do eu individual. Onde estamos e para onde vamos. Essencial saber.

  Em ”Alice no país das maravilhas”, obra literária estupenda tanto quanto multidisciplinar, Lewis Carrol nos apresenta um diálogo magnífico entre Alice e o Coelho, quando , esbaforida e nervosa, a garota indaga, a um calmo e sereno Coelho, sobre qual é o caminho. Ao que recebe outra indagação, como resposta: ”Mas, para onde Você quer ir?”. E, sem pestanejar, Alice responde: “Não sei”. Então, magistralmente, o Coelho lhe retorque: ”Em assim sendo, qualquer caminho lhe serve”. Momento estupendo. Sentimo-nos na posição de Alice, ou não? Em algum momento da vida? A vida toda?

  O nosso cérebro funciona com a perspectiva de máxima eficiência, o que pode ser entendido por menor gasto de energia com melhor resultado. É o famoso mindset. Que também pode ser compreendido como busca de zona de conforto. Atenção! Cuidado: pode nos ser uma armadilha!

  Queremos respostas, e, se possível, prontas para serem consumidas, tipo “fast food”. Mas a magnificência das nossas vivências, de nossas benditas oportunidades reencarnatórias, está em que, cada um, de acordo com seus conhecimentos e ações, constrói suas respostas. Não há receitas de bolo.

  A Doutrina dos Espíritos, na qualidade de Consolador Prometido, muito nos auxilia nessa empreitada. Mas, por sua essência, nos fornece subsídios para pensarmos, não o que pensarmos. Asseverando que os caminhos são Jesus (e seus ensinos), contudo, cada um que o construa a seu tempo, a seu modo e de acordo com seu conhecimento. Desconstruindo-o e o reconstruindo, cada vez maior, a cada nova conquista de aprendizado.

                                    José Maria do Amaral Filho

                                    Vice-presidente da AME Maranhão