Obsessão é doença mental?

Há muitos anos a humanidade tenta lidar com distúrbios psicológicos vários, das mais variadas formas. Não faz muito tempo que estes distúrbios eram vistos como eventos sobrenaturais ou sua interpretação e abordagem eram influenciados por superstições.

No início do século XIII surgiram as primeiras unidades manicomiais, em geral com objetivo de manter o indivíduo com distúrbios da mente internados e isolados da sociedade, e seus métodos terapêuticos não eram exatamente humanizados. Dentre algumas medidas terapêuticas, incluam-se jatos de água com alta pressão (duchas), a perfuração do crânio (trepanação), eletrochoques sem suporte anestésico e a famigerada lobotomia.

No Brasil as primeiras unidades manicomiais surgiram no final do século XIX e os serviços oferecidos seguiam os mesmos moldes das suas referências europeias. Uma instituição que ganhou nome (negativamente) chamava-se Hospital Psiquiátrico de Barbacena (ou Hospital Colônia). Estima-se que nesta instituição, devido a diversos métodos terapêuticos não seguros e a maus-tratos, aproximadamente 60 mil mortes ocorreram.

Infelizmente, grande parte dos indivíduos que sofreram estes tratamentos desumanos apresentavam muito mais que um distúrbio cerebral neuroquímico, mas apresentavam também um componente espiritual.

No Livro dos Médiuns, na questão 6, Kardec pergunta: “A subjugação corpórea, chegada a certo grau, poderá levar à loucura?” No que os espíritos respondem: ”Sim, a uma espécie de loucura cuja causa o mundo desconhece, mas que não tem relação alguma com a loucura comum. Entre os que são tidos por loucos, muitos são apenas subjugados. Precisariam de um tratamento moral, e não de tratamentos corpóreos, pois que com estes os tornamos verdadeiros loucos. Quando os médicos conhecerem bem o Espiritismo, saberão fazer essa distinção e curarão mais doentes do que com as duchas.”

Os espíritos deixam bem claro na citação acima a importância do componente espiritual no que era simplificado apenas como “loucura”.

Joanna de Angelis, quando discorre acerca do transtorno depressivo, na obra Entrega-te a Deus, diz: ”Na raiz do transtorno depressivo, existe sempre uma psicogênese de caráter obsessivo, resultante da infeliz conduta anterior da atual vítima (…).”

Já na obra Vitória sobre a Depressão, Joanna nos esclarece: ”Podemos mesmo asseverar que, na maioria dos transtornos depressivos, a causa apresenta-se como de natureza espiritual, ou após desencadeada pelos fenômenos orgânicos – psicológicos ou fisiológicos – torna-se mais complexa em razão da influência perniciosa dessas personalidades desencarnadas.”

Com a citação acima, Joanna detalha mais os mecanismos dos transtornos psicológicos e psiquiátricos, ao deixar claro como um transtorno neuroquímico se sobrepõe ao componente espiritual. Da mesma forma, tal processo se apresenta em outras patologias mentais.

Sérgio Felipe de Oliveira, médico psiquiatra e membro da Associação Médico-Espírita de São Paulo, ao ser questionado pela revista Folha Espírita (no ano de 2004), diz: “Na verdade, temos de discriminar no diagnóstico qual o papel da obsessão espiritual na doença que a pessoa está vivendo, já que todo transtorno psicótico como a esquizofrenia possui o componente obsessivo-espiritual.”

Para um tratamento adequado destas patologias é essencial que se associe o tratamento médico e psicológico ao tratamento espiritual, incluindo-se neste último as psicoterapias do amor, da prece, da caridade, da paciência e da resignação como medicamentos indispensáveis.

Neste sentido, o horizonte nos traz grandes evoluções, na medida em que, além de evoluções nas medicações, nas técnicas psicoterápicas, nos modelos de internação, a medicina e a psicologia tem considerado as crenças religiosas e a fé como parcelas importantes no tratamento.

Mas lembremos que: ”Mais importante do que tratar obsessões, é sempre melhor preveni-las, envidando esforços contínuos relacionados à prática do bem e à melhoria moral (Estudo e Prática da Mediunidade, Programa I)”.

 

Carlos Frias Neto

Presidente da Associação Médico-Espírita do Maranhão